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Viver em outros países – até por questão de sobrevivência – aguça os nossos sentidos em dedicar-lhes a análise e compreensão da dinâmica social que os caracteriza. Assim, podemos extrair criticamente aquilo que melhor nos propicie a empatia, adaptação e inserção cultural. Os locais onde estive, sobretudo na Europa, pude esquadrinhá-los em suas peculiaridades histórico-geográficas, vieses políticos e participar do caldeirão multiétnico, sempre em circulação. Penso que seja isso a vivência cidadã.
A considerar que o site não foi pensado como vitrine para prestação de serviços referentes à cidadania italiana, mas com o fim de compartilhar experiências, dedico este espaço para narrar andanças, causos pitorescos, perrengues, coisa séria, aventuras de bicicleta e tudo mais que cabe no balaio desse mundão de Deus…
Divirtam-se!
“O IBGE ainda está na idade da pedra lascada”: considerações sobre a sentença do Ministro da Economia, Paulo Guedes
Embora a postura do ministro da economia em relação ao IBGE não tenha me surpreendido, eu – funcionária e portadora do dever institucional de prestar informações correlatas – venho esclarecer as considerações feitas por ele em evento no Rio de Janeiro, publicadas no jornal O Globo, do dia 30/07/2021. “A Pnad do IBGE está muito atrasada metodologicamente, pesquisa feita por telefone… É muito superior a metodologia do Caged; ela vem direto das empresas. Nós vamos ter inclusive que rever, acelerar os procedimentos do IBGE, porque ele ainda está na…
Os dois extremos em três dias: as batidas da Polícias de Fronteira Portuguesa e Espanhola (II)
Entrei no bonito carro da patroa e me refestelei na poltrona. O ronco do motor e o conforto do automóvel funcionavam como sedativo para o meu corpo exausto. A beleza da deserta e tranquila orla da Praia dos Salgados, lá adiante, indo embora, aliviava meus olhos que pareciam impregnados com aquelas viaturas, pranchetas e pessoas desoladas a serem deportadas. A minha chefe estava muito tranquila. Aquilo me causou incômodo. Perguntei em tom quase irritadiço: – Você me parece demasiado calma. Ela, uma tanto lacônica, ponderou: – Essas batidas costumam…
A ótica nerd da imigração italiana: O Irlandês
Princípio de 2020. Na casa de Marcelo, tagarelávamos displicentes sobre cidadania italiana, pesquisas genealógicas e imigração italiana. De repente, ele levantou o dedo no ar e disse ter algo que poderia me interessar. Acessou então um bate-papo entre diretor e protagonistas de O Irlandês. Concentrei-me nos tiozões ali na tela. Reconheci imediatamente o Robert De Niro e o Joe Pesci. Este, eu não ouvia falar desde Esqueceram de Mim. O semblante simpático do Martin Scorsese veio vagarosamente à minha memória. Já o outro não reconheci. Perguntei quem era….
Vinho improvisado no Lago di Caldonazzo (Trento)
Naquilo que deveria ser uma breve reunião de bate e volta em Brescia, o repertório de dois verborrágicos advogados italianos demandou mais tempo que o previsto. Eu não conseguiria retornar a tempo de pegar o último ônibus para o interior de Trento. Bom, não seria a primeira (e nem a última) vez que eu passaria por este tipo de imprevisto. Já dentro do trem rumo a Trento, eu mandei uma mensagem para a Hannah. A Hannah? Um presente de Berlim Eu a conheci numa carona do blablablacar numa…
Cesena: cidadania italiana e rock n´ roll
Em 2017, a Sarita me mandou um vídeo do youtube com um galerão ordenadamente espalhado entre quadrantes de trocentas baterias, guitarras, baixos e microfones, num lugar descampado, ensolarado, de quase verde esturricada relva. Tratava-se de uma banda gigante a tocar Learn to Fly, do Foo Fighters. O local? Cesena, centro regional da província onde fiz minha primeira busca de documento para processos de cidadania italiana. Um sorriso se iluminou. Logo na primeira pegada da canção sob a regência do maestro descabelado, eu senti meu corpo arrepiar ante a beleza…
Mark Knopfler: Get Lucky Tour 2010 – Lisboa
Os berros da galera, para quem a vinheta era novidade, me fizeram rememorar e sentir semelhante emoção na abertura do show de Milão. A noite prometia, pois os tugas pareciam bem mais quentes que a plateia italiana. O Mark veio caminhando devagar e bonachão em meio aos outros. Antes de se sentar na cadeira giratória azul de listra branca, ele parou de frente para a multidão, abriu um sorrisinho lambeta, acenou e pegou a sua Gibson Les Paul. Galera surtou. O sorrisinho virou gargalhada. Ele apoiou parte do corpo…
15. O estouro da boiada rumo ao Mark Knopfler
Eu estava extasiada com Speedway at Nazareth. O Mark Knopfler e o Danny Cummings foram exímios no solo. Por alguns instantes fiquei meio fora do ar. Uma luz fraca e azulada se fez no palco. Ao reconhecer Brothers In Arms, refestelei-me especialmente para degustar a letra e a melodia do acordeon que acompanha a canção por todo o tempo. Um vento inesperado soprou no meu lado esquerdo. Olhei para o lado e vi um cinquentão correndo lá para frente. De repente surgiu o estouro da boiada. Nem tive…
14. Dentre carreira solo e Dire Straits, o gelo europeu se derrete sob o efeito Knopfler
Curioso era ver o contraste entre a superbanda do Mark Knopfler e o palco de fundo preto, com a sigla do festival em branco, iluminação básica e sem qualquer recurso de telão. Eu pensava se um palco entupido de recursos tecnológicos abrilhantaria ou ofuscaria a consonância de músicos tão talentosos. Isso é algo que deve ser bem planejado, pois pode levar a efeitos indesejáveis. Funciona bem no intuito de veicular a mensagem político humanitária do U2. Funciona mal no intuito de disfarçar a música sofrível do Iron Maiden: entra…
13. Para quem curte Mark knopfler e Dire Straits, a resenha do Get Lucky Tour em Milão
Era o prelúdio de Border Reiver. Logo viria o violão country e a bateria que acelera a pegada da música. Finalmente, o Mark Knopfler. Enxuguei as lágrimas, afastei os pensamentos sobre os percalços com a cidadania italiana, despreguei os olhos do muro do Arena Civica, ajeitei o meu corpo na cadeira e olhei para o palco. É muito estranha a emoção que nos toma de assalto. Lembro-me de tentar concentrar na canção, porém eu permanecia atônita. Eu me recordo de apenas alguns momentos de Border Reiver e What It…
12. Speedway at Nazareth trouxe o Mark Knopfler e me compeliu a comprar uma bateria
Eu vim efetivamente a “conhecer” o Mark Knopfler em 2007 num papo via msn. Na ocasião, eu participava de um grupo do orkut que tinha a música como pauta. Numa conversa com um dos membros, ele me perguntou sobre o que me chamava a atenção no instrumental de uma canção. Como fazia pouco tempo que eu tinha vivido a emoção de tocar bateria pela primeira vez, respondi que um solo bem casado de guitarra com bateria fazia diferença numa canção. Ele, argumentando que eu iria adorar, me enviou um…